Pesquisas pós-convenções confirmam Omar Aziz na liderança, mas deixam segunda vaga do 2º turno em aberto
Levantamento reúne as 12 pesquisas registradas no TSE entre 11 de agosto e 6 de setembro; Maria do Carmo e Roberto Cidade travam disputa estatisticamente empatada pelo segundo lugar
Encerrado o prazo das convenções partidárias e oficializadas as candidaturas ao governo do Amazonas, um levantamento comparativo reunindo as 12 pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 11 de agosto e 6 de setembro mostra um cenário com um dado consistente e outro em aberto: o senador Omar Aziz (PSD) aparece em primeiro lugar em todas as sondagens, mas a briga pela segunda posição — que hipoteticamente disputaria um eventual segundo turno com ele — trocou de dono seis vezes em menos de quatro semanas.
Ao todo, onze institutos foram a campo no período e ouviram 19.594 eleitores para aferir as intenções de voto dos sete candidatos que disputam o Palácio Rio Negro: Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL), Roberto Cidade (União Brasil), David Almeida (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Isael Munduruku (Rede) e Gilberto Vasconcelos (PSOL).
Omar Aziz lidera todas as pesquisas
Na média das 12 pesquisas, convertida em votos válidos — ou seja, descontados os percentuais de brancos, nulos e indecisos, critério que efetivamente decide a eleição —, Omar Aziz aparece com 31,9% das intenções de voto, alta de 1,0 ponto percentual em relação à média das quatro últimas pesquisas anteriores à oficialização das candidaturas.
O senador do PSD venceu as 12 sondagens do período, mas nem sempre com folga. Em quatro delas — Pontual, Veritá de 23 de agosto, Viva Voz e Projeta —, a vantagem sobre o segundo colocado ficou entre 1,3 e 1,7 ponto percentual, distância considerada dentro da margem de erro de qualquer um dos levantamentos. A maior vantagem do período foi registrada pelo instituto DMP, em pesquisa de 11 de agosto, quando Omar Aziz abriu 13,1 pontos sobre o segundo colocado.
Como nenhum dos sete candidatos ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos, o cenário médio do período aponta para a possibilidade de segundo turno na disputa pelo governo do Amazonas.
Segundo lugar: uma disputa dentro da margem de erro
Se a liderança de Omar Aziz é o dado mais estável do levantamento, a segunda colocação é o mais instável. Na média das 12 pesquisas em votos válidos, Maria do Carmo (PL) aparece com 23,3% e Roberto Cidade (União Brasil), com 23,0% — uma diferença de apenas 0,3 ponto percentual, abaixo da margem de erro de todos os institutos consultados.
Levantamento pesquisa a pesquisa mostra que Roberto Cidade ficou em segundo lugar em seis dos doze levantamentos, contra cinco de Maria do Carmo; David Almeida apareceu na vice-liderança uma única vez, no instituto Eficaz, em 22 de agosto. A alternância indica que não há, no momento, base estatística que permita afirmar com segurança qual dos dois candidatos disputaria um eventual segundo turno com Omar Aziz.
Os números individuais também revelam amplitude expressiva ao longo do período. Maria do Carmo oscilou entre um piso de 14,4% (pesquisa Projeta, de 17 de agosto) e um teto de 27,4% (AtlasIntel, 29 de agosto) — variação de 13,0 pontos percentuais, a maior entre os quatro primeiros colocados. Já Roberto Cidade variou entre 16,2% (Viva Voz, 5 de setembro) e 25,3% (Pontual, 6 de setembro): em pesquisas com campo em dias consecutivos, o candidato colheu seu pior e seu melhor resultado do período.
David Almeida é o mais instável do quadro
O ex-prefeito David Almeida (Avante) registrou a maior amplitude entre pico e piso de todo o levantamento: em votos válidos, oscilou de 22,8% (instituto Eficaz, 22 de agosto) a 9,3% (AtlasIntel, 29 de agosto) — variação de 13,5 pontos percentuais em apenas sete dias entre as duas pesquisas. Na média do período, David aparece em quarto lugar, com 16,3% dos votos válidos, recuo de 2,0 pontos frente à média pré-convenções.
Cabo Daciolo: o maior salto do período
O destaque de crescimento do levantamento não está no topo da tabela, mas na estreia de um novo nome. Cabo Daciolo (Mobiliza), que não pontuava nos cenários anteriores às convenções, entrou na disputa com média de 3,9% dos votos válidos — ganho de 3,5 pontos percentuais, o maior avanço registrado entre todos os candidatos no período. Seu melhor resultado individual veio na pesquisa AtlasIntel (6,3% no percentual bruto, equivalente a 6,7% em votos válidos); o pior, na primeira pesquisa do bloco, do instituto DMP (1,1%).
Os demais candidatos seguem com desempenho marginal: Isael Munduruku (Rede) oscilou entre 0,4% e 1,2% no período, média de 0,9% em votos válidos; Gilberto Vasconcelos (PSOL) variou de 0,0% a 1,2%, média de 0,7%.
A média consolidada das 12 pesquisas
| # | Candidato | Partido | Média válidos | Var. vs. pré |
| 1 | Omar Aziz | PSD | 31,9% | ▲ +1,0 p.p. |
| 2 | Maria do Carmo | PL | 23,3% | ▼ -1,3 p.p. |
| 3 | Roberto Cidade | União | 23,0% | ▲ +1,7 p.p. |
| 4 | David Almeida | Avante | 16,3% | ▼ -2,0 p.p. |
| 5 | Cabo Daciolo | Mobiliza | 3,9% | ▲ +3,5 p.p. |
| 6 | Isael Munduruku | Rede | 0,9% | ▲ +0,3 p.p. |
| 7 | Gilberto Vasconcelos | PSOL | 0,7% | ▲ +0,5 p.p. |
Fonte: TSE (pesquisas registradas sob os números 32 a 43). Percentuais convertidos em votos válidos, excluídos brancos, nulos e indecisos. Elaboração: RealTimeAM.
O que cada instituto mostrou
Os números brutos, como divulgados por cada casa, também ajudam a entender de onde vêm as diferenças de cenário. Institutos como AtlasIntel e Veritá — que foi a campo duas vezes no período, em 23 de agosto e 3 de setembro — registraram os melhores números de Maria do Carmo e, ao mesmo tempo, os piores de David Almeida. Já pesquisas como Projeta, Pontual e Direto ao Ponto desenharam o cenário mais favorável a Roberto Cidade. A tabela abaixo traz os números brutos (estimulados, com brancos, nulos e indecisos na base) de cada instituto para os quatro primeiros colocados.
| Instituto | Campo | Omar | M. do Carmo | Cidade |
| DMP | 11/08 | 33,7% | 20,6% | 18,8% |
| Projeta | 17/08 | 25,7% | 14,4% | 24,0% |
| Quaest | 19/08 | 26,0% | 16,0% | 18,0% |
| Direto ao Ponto | 20/08 | 26,0% | 19,0% | 23,0% |
| Real Time Big Data | 20/08 | 34,0% | 21,0% | 22,0% |
| Eficaz | 22/08 | 24,3% | 18,4% | 19,7% |
| Veritá | 23/08 | 27,6% | 26,0% | 19,9% |
| AtlasIntel | 29/08 | 31,0% | 27,4% | 18,8% |
| Paraná | 30/08 | 29,6% | 19,4% | 21,5% |
| Veritá | 03/09 | 31,1% | 25,0% | 19,5% |
| Viva Voz | 05/09 | 26,2% | 24,5% | 16,2% |
| Pontual | 06/09 | 26,6% | 18,4% | 25,3% |
Fonte: TSE. Para o instituto Veritá, que realizou duas pesquisas no período, os números representam a média simples dos dois levantamentos. Elaboração: RealTimeAM.
Ficha técnica
O levantamento considerou exclusivamente o bloco de pesquisas posterior à oficialização das candidaturas nas convenções partidárias: 12 pesquisas registradas no TSE (de nº 32 a 43 na série histórica), com campo entre 11 de agosto e 6 de setembro de 2026, realizadas por onze institutos — DMP, Projeta, Quaest, Direto ao Ponto, Real Time Big Data, Eficaz, Veritá (duas rodadas), AtlasIntel, Paraná, Viva Voz e Pontual —, somando 19.594 entrevistas. As margens de erro variam de 1,79% a 3%, com grau de confiança de 95% em todos os levantamentos. A média em votos válidos foi calculada sobre a média das 12 pesquisas, redistribuindo 100% entre os sete candidatos oficiais; brancos, nulos e indecisos somaram, em média, 4,7% e 6,0%, respectivamente, e não entram no cálculo de melhor e pior desempenho de cada candidato.
Fonte: RealTimeAM — Comparativo de pesquisas eleitorais, Governo do Amazonas 2026 (dados TSE, pesquisas nº 32–43).
