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Na reta final, Lula volta a abrir vantagem no 1º turno e empata com Flávio Bolsonaro no 2º, aponta Quaest

O quadro geral

A primeira pesquisa Quaest da última semana de campanha, contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, mostra uma disputa presidencial ainda mais apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento registra oscilação positiva do petista nos dois cenários de turno e uma melhora na avaliação do governo, em um período marcado por anúncios oficiais de forte apelo popular e por uma controvérsia de cunho religioso nas redes sociais.

O instituto ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é BR-06520/2026.

Primeiro turno: vantagem fora da margem de erro

No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, dois pontos acima da rodada anterior. Flávio Bolsonaro soma 34%, um ponto a mais. Com cinco pontos de diferença e margem de dois pontos, o presidente volta a liderar fora da margem de erro.

O crescimento de ambos ocorre à custa dos demais postulantes, que juntos somam agora 12%, e da redução dos indecisos, que caíram de 8% para 5%. Em sentido oposto, a parcela dos que declaram voto em branco ou nulo subiu três pontos e chegou a 10% — um dado relevante a poucos dias da votação, por indicar um contingente de eleitores que resiste às duas candidaturas principais.

Primeiro turnoRodada anteriorRodada atualVariação
Lula (PT)37%39%+2
Flávio Bolsonaro (PL)33%34%+1
Demais candidatos—12%queda
Branco/nulo7%10%+3
Indecisos8%5%−3

Fonte: Quaest/O Globo/TV Globo. Valores anteriores calculados a partir das variações informadas pelo instituto.

Segundo turno: empate numérico

Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem empatados numericamente, com 42% cada. O senador repete o mesmo percentual pela terceira pesquisa consecutiva, o que sugere estabilidade de seu eleitorado. Já o petista oscilou positivamente e voltou a alcançar o adversário. Do ponto de vista estatístico, o cenário é de empate, sem favorito definido para uma eventual rodada final.

Os segmentos que explicam o movimento

A análise por recortes ajuda a entender a oscilação de Lula. Três grupos concentraram os movimentos mais significativos: católicos, eleitores independentes e mulheres.

Entre os católicos, o presidente ganhou cinco pontos no primeiro turno e alcançou 48%, contra 29% de Flávio. A variação ocorreu após a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que dominou as redes sociais na semana anterior, quando apoiadores do petista passaram a acusar o senador de posição contrária à santa. A pesquisa registra a coincidência temporal entre o episódio e a mudança no segmento, embora não seja possível atribuir a oscilação exclusivamente a esse fator.

Os eleitores classificados como independentes — que não se identificam como de direita, de esquerda, lulistas ou bolsonaristas — também pesaram. Nesse grupo, antes empatado, Lula subiu cinco pontos e chegou a 27%, ante 22% de Flávio.

Na divisão por gênero, os movimentos foram em direções opostas. Entre as mulheres, Lula avançou três pontos e tem 40%, contra 29% do adversário. Entre os homens, Flávio cresceu cinco pontos e passou a registrar 39% contra 37% do presidente, diferença que configura empate técnico.

Segmento (1º turno)LulaFlávioMovimento
Católicos48%29%Lula +5
Independentes27%22%Lula +5 (antes empate)
Mulheres40%29%Lula +3
Homens37%39%Flávio +5 (empate técnico)

Recortes por segmento têm margem de erro superior à da amostra total.

Medidas do governo têm aval da maioria

A Quaest também mediu a recepção a três iniciativas recentes do governo federal, todas aprovadas pela maioria dos entrevistados. A restrição às apostas esportivas on-line, as chamadas bets, é a mais bem avaliada, com 62% de apoio. O número resulta da soma dos 40% que conheciam a medida e a aprovam com os 22% que não sabiam dela, mas a consideram positiva.

O reajuste de 15% do Bolsa Família, que elevou o benefício de R$ 600 para R$ 691, tem 59% de aprovação. Em patamar tecnicamente equivalente, a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS para o tratamento da obesidade reúne 58%.

Há uma ressalva metodológica importante: esta é a primeira pesquisa realizada após a decisão do presidente de proibir o funcionamento das bets por meio de medida provisória. Como o anúncio ocorreu na sexta-feira e o campo foi de quinta a domingo, parte das entrevistas foi feita antes e parte depois da iniciativa, o que significa que o eventual efeito da medida pode não estar integralmente capturado.

MedidaAprovação
Restrição/proibição das bets62%
Reajuste do Bolsa Família (R$ 600 → R$ 691)59%
Canetas emagrecedoras no SUS58%

Fonte: Quaest/O Globo/TV Globo.

Aprovação do governo reduz saldo negativo

A avaliação da gestão Lula, que vinha mostrando dificuldade atípica de ganhar tração durante a campanha — período em que os governos costumam divulgar mais amplamente suas realizações —, apresentou nova oscilação positiva. Depois de subir um ponto na rodada anterior, a aprovação avançou mais dois e chegou a 46%.

A desaprovação ainda é superior, com 49%. Contudo, a série histórica do instituto indica que o saldo negativo, de sete pontos na primeira quinzena de setembro, caiu para três pontos, uma tendência de melhora gradual na percepção sobre o governo.

Rejeição: o teto dos candidatos

O índice de rejeição evidencia a dificuldade dos dois principais nomes em ampliar sua base de votos. Flávio Bolsonaro mantém 56% de eleitores que afirmam não votar nele de jeito nenhum. Lula recuou um ponto e registra 54%, patamar estatisticamente equivalente ao do adversário. Com mais da metade do eleitorado rejeitando cada um deles, o crescimento de ambos depende da conquista de uma faixa estreita de eleitores ainda não consolidados.

O que a pesquisa indica

Em síntese, o levantamento aponta uma eleição polarizada e competitiva na semana decisiva. Lula recuperou terreno em grupos estratégicos e voltou a abrir vantagem fora da margem de erro no primeiro turno, enquanto o segundo turno segue empatado. A melhora na aprovação do governo e o apoio majoritário às medidas recentes favorecem o presidente, mas a rejeição elevada de ambos, o avanço de Flávio entre os homens e o aumento dos votos brancos e nulos mantêm o resultado em aberto.

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Ficha técnica: Quaest, contratada por O Globo e TV Globo. 2.004 entrevistas entre 24 e 27 de setembro de 2026. Margem de erro de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95%. Registro: BR-06520/2026.

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