Amazonas

Amazonas registra aumento de 800% nos homicídios de crianças de até 4 anos e lidera mortes de indígenas no Brasil

O Amazonas concentra alguns dos índices mais críticos do país em violência contra grupos vulneráveis. O Atlas da Violência 2026, divulgado na última terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o estado registrou aumento de 800% nos homicídios de crianças de até quatro anos em 2024 — ao mesmo tempo em que liderou o ranking nacional de assassinatos de indígenas e abrigou o município mais violento do Brasil.

Crianças de até 4 anos: 27 mortes em 2024

O total de homicídios de crianças de 0 a 4 anos saltou de 3, em 2023, para 27 em 2024. Em cinco anos, o crescimento acumulado chega a 170% — em 2019 foram registrados 10 casos. A taxa atingiu 7,4 homicídios por 100 mil habitantes, sete vezes acima da média nacional de 1,4.

Cerca de dois terços da vitimização de crianças até 14 anos ocorre dentro da própria residência, e para menores de 0 a 4 anos, a autoria da violência não letal é doméstica em 79,9% dos casos. O relatório recomenda ampliar ações de proteção no ambiente familiar e fortalecer a prevenção de maus-tratos.

Barcelos: o município mais violento do país

O Amazonas aparece com a cidade mais violenta do ranking nacional: Barcelos, com taxa de 171,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2024 — a maior do país. O município do interior concentra populações indígenas e é marcado pela fragilidade da presença estatal e por conflitos territoriais.

Indígenas: mortes dobram em um ano

O Amazonas lidera a estatística nacional de homicídios de indígenas: o número saltou de 36, em 2023, para 73 em 2024. A taxa subiu de 21,4 para 47,8 mortes por 100 mil pessoas, variação de 123,4% em apenas doze meses.

Queda geral, mas alertas persistem

O estado também registrou avanços. Os homicídios gerais recuaram 14,7% em 2024, de 1.555 para 1.326 casos, com a taxa caindo de 38,1 para 32,2 por 100 mil habitantes — redução contínua desde 2021. Os homicídios de mulheres caíram 15,6% (de 122 para 103 casos) e os de mulheres negras recuaram 38,3%, com o Amazonas citado pelo próprio Atlas entre os estados com maior redução nesse indicador.

Em setembro de 2024, um menino de 11 anos morreu baleado ao sair de casa para comprar lanche no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. Segundo a Polícia Civil, criminosos em motocicleta atiraram contra um adulto e a criança foi atingida pelos disparos.

O Atlas da Violência 2026 é elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sinan, do Ministério da Saúde, e marca uma década de monitoramento da violência no Brasil pelo Ipea e pelo FBSP.

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Fonte: Atlas da Violência 2026 — Ipea / Fórum Brasileiro de Segurança Pública (26/05/2026)

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