Raio-X da final: Argentina ataca mais e se desgasta, Espanha aposta na melhor defesa da Copa
Finalistas do Mundial 2026 chegam à decisão deste domingo com números que contam campanhas opostas: espanhóis dominantes e econômicos, argentinos decisivos mas desgastados

Portal Zona Franca
Espanha e Argentina fazem a final da Copa do Mundo 2026 neste domingo, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Os finalistas tiveram campanhas distintas até a final. Com exceção do frustrante empate sem gols na estreia contra Cabo Verde, os espanhóis foram dominantes durante todo o Mundial, inclusive diante da favorita França, nas semifinais. Já a atual campeã Argentina, liderada pelo talento de Lionel Messi, começou deslanchando, mas passou sufoco contra adversários modestos no mata-mata e chegou à decisão, a segunda consecutiva, de maneira dramática, com viradas épicas contra Egito, nas oitavas, e Inglaterra, nas semifinais.
O ataque argentino e o peso de Messi
Disputando a sua segunda final consecutiva, a Argentina chega à decisão da Copa com o melhor ataque do Mundial, com 19 gols marcados. Messi balançou as redes oito vezes e é o artilheiro da equipe. O atacante Lautaro Martínez (3) e o meia Enzo Fernández (2) aparecem logo atrás. Lisandro Martínez, Giovanni Lo Celso, Romero, Julián Álvarez e Alexis Mac Allister marcaram um cada. Os argentinos também foram favorecidos com um gol contra na vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde.
Messi também é o líder de assistências da Argentina no Mundial, com 4 passes para gol. Levando em consideração também os números da artilharia, o camisa 10 participou de 63% dos gols da seleção argentina na Copa. Lisandro Martínez, Rodrigo De Paul, Facundo Medina, Nico González, Lautaro Martínez, Alexis Mac Allister, Gonzalo Montiel e Flaco López contribuíram com uma assistência cada.
Espanha: menos gols, mais eficiência
Já a Espanha, que busca o segundo título de sua história após conquistar o troféu em 2010, chegou à final com o quinto melhor ataque do torneio, com 13 gols, empatada com a Noruega, e atrás de Bélgica (14), Inglaterra (14), França (16) e a própria Argentina. Mikel Oyarzabal é o principal goleador da equipe, com 5 gols. Ele é seguido por Mikel Merino e Pedro Porro, ambos com 2. Marcaram uma vez cada Lamine Yamal, Fabián Ruíz e Álex Baena. Assim como os argentinos, os espanhóis também foram favorecidos com um gol contra, na vitória por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita.
A seleção espanhola tem o lateral-esquerdo Marc Cucurella e o meia-atacante Dani Olmo como seus principais garçons, com duas assistências cada. Aymeric Laporte, Marcos Llorente, Oyarzabal, Baena e Ferrán Torres contribuíram com um passe para gol cada.
Mapa dos gols
Dos 19 gols marcados pela Argentina, 11 aconteceram dentro da área e 4 de longa distância. Dois foram marcados em cobrança de falta e um de pênalti. Dois gols foram marcados após cobrança de escanteio, incluindo o lance que resultou no gol contra de Cabo Verde. O jogo aéreo também foi arma dos argentinos, que marcaram quatro gols de cabeça contra Egito, Suíça e Inglaterra.
O estilo tiki-taka da Espanha fica evidente no detalhamento dos gols da seleção. Todos foram marcados de dentro da área, com exceção do gol de pênalti marcado por Oyarzabal contra a França. A bola aérea também apareceu pontualmente, com somente um gol de cabeça registrado na vitória sobre a Áustria.
Desgaste físico
A Argentina, que decidiu a classificação contra Cabo Verde e Suíça (3 a 1) na prorrogação, chega à final com maior tempo de jogo acumulado. Segundo dados da Opta, os argentinos somam 795 minutos e 13 segundos em campo contra 717 minutos e 6 segundos da Espanha.
Entre os argentinos, Alexis Mac Allister é quem mais atuou (729 min), seguido por Messi (713 min), Lisandro Martínez (665 min), Enzo Fernández (659 min) e Cristian Romero (612 min).
Pela Espanha, que passou por todos os jogos do mata-mata sem a necessidade de tempo extra, os defensores Pau Cubarsí e Marc Cucurella jogaram todos os minutos possíveis (717 min), acompanhados de perto por Laporte (713 min), Rodri (708 min) e Oyarzabal (599 min).
Ofensividade
A Espanha apresenta um volume de finalizações ligeiramente superior, com 120 chutes totais contra 112 da Argentina. No entanto, os argentinos são mais precisos, acertando 44 finalizações no alvo, enquanto os espanhóis direcionaram 42 bolas à meta adversária.
A pressão ofensiva espanhola também se reflete nos escanteios, com a equipe europeia conquistando 45 tiros de canto a favor contra 37 da seleção argentina.
Até a final, a Argentina teve três pênaltis a favor, com Messi desperdiçando duas cobranças — fato inédito na história dos Mundiais — e Lautaro Martínez convertendo a outra oportunidade na marca da cal. Já a seleção da Espanha teve apenas uma penalidade assinalada a seu favor, com Oyarzabal balançando as redes.
Defesa e disciplina
Se a Argentina tem o melhor ataque da Copa do Mundo, a Espanha tem a melhor defesa. Os espanhóis sofreram somente um gol no Mundial, na vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica, em jogo válido pelas quartas de final do torneio, marcado por Charles De Ketelaere, de cabeça. A Colômbia também foi vazada apenas uma vez, mas disputou dois jogos a menos por ter sido eliminada nos pênaltis nas oitavas de final, para a Suíça.
A solidez defensiva dos espanhóis se traduz no baixo número de finalizações sofridas, apenas 44 (sendo 10 no alvo). A equipe também cedeu somente 14 escanteios aos adversários.
Os argentinos, por sua vez, vão precisar acertar a defesa para não sofrer na final. Foram sete gols sofridos nas sete partidas disputadas. A seleção albiceleste só não foi vazada nos dois primeiros jogos, quando venceu a Argélia, por 3 a 0, e a Áustria, por 2 a 0.
E se a Espanha é especialista em furar a defesa adversária para marcar gols, a Argentina deve redobrar a atenção. Isso porque todos os gols sofridos pelos argentinos ocorreram dentro da grande área. Os argentinos ainda permitiram 55 arremates (16 na direção do gol) contra sua meta e 20 escanteios para o adversário.
No campo disciplinar, os argentinos cometeram 88 faltas, sofreram 79 e acumulam 9 cartões amarelos. Por sua vez, a Espanha cometeu 80 faltas, sofreu 66 e recebeu 6 amarelos. Ambas as seleções chegam à decisão sem cartões vermelhos ou pênaltis marcados contra.
Espanha x Argentina: raio-X das seleções na Copa
Finalistas do Mundial 2026, os espanhóis ficaram menos tempo em campo e têm a melhor defesa, enquanto os argentinos se desgastaram mais e fizeram mais gols. Confira o comparativo completo:
| Quesito | Espanha | Argentina |
| Gols | 13 | 19 |
| Gols sofridos | 1 | 7 |
| Minutos acumulados | 717min06s | 795min13s |
| Finalizações | 120 | 112 |
| Finalizações no alvo | 42 | 44 |
| Escanteios a favor | 45 | 37 |
| Escanteios contra | 14 | 20 |
| Finalizações sofridas | 44 | 55 |
| Finalizações sofridas no alvo | 10 | 16 |
| Pênaltis a favor | 1 | 3 |
| Pênaltis convertidos | 1 | 1 |
| Pênaltis desperdiçados | 0 | 2 |
| Cartões amarelos | 6 | 9 |
| Cartões vermelhos | 0 | 0 |
| Faltas cometidas | 80 | 88 |
| Faltas sofridas | 66 | 79 |
Fonte: Opta.
