Família, amigos e redes sociais? Para a maioria dos brasileiros, nada disso pesa no voto para presidente
Pesquisa Datafolha mostra que opinião de parentes, amigos, jornalistas, influenciadores digitais e líderes religiosos é descartada pela maior parte do eleitorado na hora de escolher o candidato à Presidência.

Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta semana derruba um mito comum sobre o comportamento eleitoral: o de que o brasileiro decide seu voto para presidente influenciado pelo círculo social mais próximo. Segundo o levantamento, a maioria dos entrevistados afirma que a opinião de familiares, amigos, jornalistas, perfis seguidos nas redes sociais e líderes religiosos não pesa em nada na escolha do candidato deste ano.
O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 22 e 23 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança — subindo para três pontos quando o recorte é feito entre quem tem companheiro fixo ou filhos acima de 16 anos.
“Nenhuma influência” vence em todos os grupos testados
Em todos os seis grupos avaliados pela pesquisa — companheiro(a), filhos, amigos próximos, jornalistas, perfis de redes sociais e líderes religiosos —, a resposta mais comum foi a mesma: nenhuma influência no voto.
Os números variam pouco entre si:
– Líderes religiosos: 67% dizem não ter nenhuma influência sobre o voto (o maior índice de rejeição entre os grupos testados);
– Amigos próximos e perfis seguidos nas redes sociais: empatados, com 62% cada;
– Jornalistas e imprensa: índice mais baixo de rejeição, com 58%.
Entre os entrevistados que vivem em relacionamento estável, 60% dizem que a opinião do parceiro ou parceira não altera o voto. Já entre pais de filhos com 16 anos ou mais, 62% afirmam que a opinião dos próprios filhos também não interfere.
Um dado à parte: 7% dos entrevistados disseram não ter líder religioso de referência ou não frequentar igreja.
Quando soma influência “muita” e “um pouco”, jornalistas e cônjuges lideram — dentro da margem de erro
Ao juntar as respostas “muita influência” e “um pouco de influência”, o cenário muda de figura, mas sem um vencedor isolado:
– Jornalistas e imprensa: 38%
– Companheiro(a) (entre quem tem relacionamento estável): 38%
– Filhos e amigos próximos: 36% cada
– Perfis nas redes sociais: 32%
– Líderes religiosos: 23% — disparado o menor índice
Como as diferenças entre os primeiros colocados estão dentro da margem de erro, o Datafolha não recomenda apontar um grupo específico como “o mais influente” no voto.
Olhando só para quem respondeu “muita influência” (sem somar o “um pouco”), a ordem muda ligeiramente: filhos (21%), companheiro(a) (20%), jornalistas e imprensa (17%), amigos próximos (16%), redes sociais (15%) e líderes religiosos (13%). Mais uma vez, a disputa pelas primeiras posições fica dentro da margem de erro.
Homens dizem se deixar influenciar mais por amigos e redes do que mulheres
O levantamento identificou uma diferença relevante por gênero. A opinião de amigos próximos tem muita ou alguma influência para 40% dos homens, contra 31% das mulheres. No caso de perfis seguidos nas redes sociais, o padrão se repete: 36% dos homens dizem sofrer esse tipo de influência, ante 29% das mulheres. Em ambos os casos, a margem de erro é de três pontos percentuais para cada grupo.
Escolaridade e região pesam no peso dado à religião
A confiança depositada em líderes religiosos varia bastante conforme o nível de escolaridade dos entrevistados. Entre pessoas com ensino fundamental, 30% dizem que a opinião de seu líder religioso terá muita ou alguma influência no voto — praticamente o dobro do registrado entre quem tem ensino superior, grupo em que o índice cai para 15%. As margens de erro são de três e quatro pontos percentuais, respectivamente.
A geografia também importa. No Nordeste, 29% dos entrevistados (margem de quatro pontos) atribuem peso à opinião de líderes religiosos no voto — o índice mais alto entre as regiões. No Sudeste, o percentual cai para 20% (margem de três pontos), e no Sul, para apenas 14% (margem de seis pontos).
Já entre religiões, a diferença é menor e cabe dentro da margem de erro: 28% dos evangélicos dizem que seus líderes religiosos influenciam o voto, contra 24% dos católicos — margens máximas de cinco e três pontos percentuais, respectivamente.
Eleitores de Lula confiam mais na imprensa do que eleitores de Bolsonaro
Um recorte por voto no segundo turno de 2022 mostra uma divisão clara na relação com o jornalismo. Entre quem votou em Lula (PT), 41% dizem que jornalistas e profissionais de imprensa terão muita ou alguma influência na escolha deste ano. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (PL), esse índice cai para 33%. A diferença entre os dois grupos ultrapassa as respectivas margens de erro, de três e quatro pontos percentuais — ou seja, é uma diferença estatisticamente consistente, e não fruto de oscilação amostral.
Cenário eleitoral segue estável
Quase ninguém se arrepende do voto de 2022
Por fim, o levantamento voltou a perguntar aos eleitores que votaram em Lula ou Bolsonaro no segundo turno de 2022 se eles se arrependem da escolha. A resposta segue esmagadoramente negativa: **92%** dizem não se arrepender, contra **8%** que admitem arrependimento — número estável desde a rodada de junho e que, desde março, oscilou sempre entre 90% e 92% sem se arrepender.
Abrindo por candidato:
– Entre eleitores de **Lula**: 90% não se arrependem, 9% se arrependem
– Entre eleitores de **Bolsonaro**: 94% não se arrependem, 6% se arrependem
*Fonte: Datafolha. Pesquisa realizada com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho de 2026. Margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. *
