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Vivo passa a conectar celulares a satélites da Starlink em áreas sem sinal, sem custo extra até 2027

Serviço é automático, vale em todo o país e libera WhatsApp (texto, áudio, foto, vídeo e chamada de voz), SMS e mapas onde não há antena, sem gastar a franquia do plano. Pessoa física tem 12 meses grátis; empresas, 3 meses. Ligações de emergência e alertas da Defesa Civil não funcionam pelo satélite.

A Vivo começou nesta segunda-feira (26) a oferecer o Vivo Satélite, serviço que conecta o celular diretamente aos satélites de órbita baixa da Starlink, empresa da SpaceX, de Elon Musk, quando o aparelho fica sem nenhum sinal da rede terrestre. Não é preciso antena, aplicativo nem contrato: a liberação é automática para as linhas e aparelhos elegíveis.

Segundo a operadora, cerca de 50 milhões de clientes já podem usar o recurso. A Starlink informou que 7 milhões de aparelhos se conectaram à rede no dia do lançamento. É o primeiro serviço do tipo com abrangência nacional no Brasil.

O alcance, porém, é limitado: não se trata de internet livre. Funcionam apenas aplicativos de mensagem, mapas e o App Vivo. E o serviço é gratuito por tempo determinado; depois, a Vivo deve cobrar por um pacote, com preço ainda não divulgado.

1. Como funciona

Quando o celular perde a cobertura das torres da Vivo (e não encontra outra rede terrestre compatível), ele procura sozinho os satélites da Starlink, que funcionam como uma “torre no espaço”. Em alguns modelos, o nome “VIVO STARLINK” aparece na tela no lugar da operadora. Assim que o sinal comum volta, o aparelho retorna automaticamente à rede tradicional.

Importante: o satélite não reforça sinal fraco. Se houver qualquer cobertura terrestre, mesmo ruim, ele não entra em ação. Portanto, não resolve o sinal ruim dentro de casa ou do escritório.

A conexão exige céu aberto. Prédios, morros, mata fechada, chuva e até a estrutura de carros e ônibus podem reduzir ou bloquear o sinal.

2. Vou ter acesso? Confira o checklist

Para usar o Vivo Satélite, é preciso cumprir todas as condições abaixo:

  1. Linha elegível: ver a tabela do bloco 3.
  2. Celular compatível: smartphone 4G/LTE ou 5G que esteja na lista homologada pela Vivo. A operadora avisa que alguns modelos podem não funcionar mesmo tendo 4G.
  3. Chip compatível: chip 4G, 5G ou eSIM.
  4. Roaming nacional de dados ativado nas configurações do aparelho. Sem isso, o celular ignora a rede da Starlink.
  5. Sistema atualizado: última versão do Android ou do iOS. No iPhone, o suporte chegou com o iOS 27.2, liberado no dia do lançamento.
  6. Estar em área aberta e sem nenhuma cobertura terrestre disponível.

Como conferir: a elegibilidade da linha e a lista de aparelhos compatíveis estão no App Vivo e na página oficial do Vivo Satélite (vivo.com.br). A Vivo também está enviando comunicados aos clientes.

3. Quem a Vivo vai atender e até quando é grátis

O serviço atende pessoas físicas e empresas. A habilitação é automática nas ofertas elegíveis, inclusive em novas ativações, trocas de plano, migrações e portabilidade.

ClientePlanos elegíveisSem custo até
Pessoa física (pós e Controle)Pós-pago, Lite, Tourist Plan e Controle com franquia principal a partir de 10 GB. Ficam fora: Vivo Controle, Vivo Controle I, Vivo Controle Pln II e Controle Conectado.25/10/2027 (12 meses)
Pré-pagoPromoções a partir de R$ 30 de saldo, com ativação e renovação junto com a franquia de internet.25/10/2027 (12 meses)
Empresas (pessoa jurídica)Smart Empresas, Vivo Lite e Vivo V Empresas. Ficam fora: linhas M2M e Torpedo Empresas.26/01/2027 (3 meses)
Linhas M2M (máquinas e sensores)Plano específico, contratado à parte. Só dados e SMS, sem voz.Sem gratuidade

4. Em quais cidades e regiões funciona

O Vivo Satélite não tem lista de cidades. A cobertura via satélite vale para todo o território brasileiro, mas o serviço só é acionado onde não há nenhum sinal terrestre da operadora.

Na prática, isso significa que quem mora em áreas urbanas com cobertura normal dificilmente vai perceber diferença no dia a dia. A rede terrestre da Vivo já alcança mais de 98% da população; o satélite cobre justamente os espaços vazios que sobram, que são grandes em extensão territorial:

  • Rodovias e estradas vicinais com trechos sem antena.
  • Zona rural: sítios, fazendas, lavouras e pastagens afastadas.
  • Mar, rios e litoral: pescadores, embarcações e comunidades ribeirinhas.
  • Regiões remotas, como áreas da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado com pouca infraestrutura.
  • Turismo de natureza: trilhas, montanhas, cachoeiras, parques e áreas de camping.

O serviço também pode funcionar em roaming internacional, com a mesma lógica: só onde não houver cobertura terrestre compatível.

5. Como o cliente é beneficiado

  • Comunicação onde antes não havia nenhuma: dá para avisar a família que chegou bem, pedir ajuda a conhecidos ou combinar um encontro.
  • Sem custo extra durante o período promocional (12 meses para pessoa física).
  • Não consome a franquia: o uso via satélite não desconta da internet nem dos bônus do plano.
  • Sem equipamento: não precisa comprar antena da Starlink nem aparelho especial, basta um celular compatível.
  • Navegação: acesso ao Google Maps e ao Apple Maps em estradas e áreas isoladas.
  • Trabalho no campo: produtores rurais, caminhoneiros, pescadores e equipes de campo ganham um canal básico de contato.

6. O que funciona e o que fica de fora

Liberado pelo satéliteBloqueado nesta fase
WhatsApp: texto, áudio, foto, vídeo e chamada de voz SMS, MMS e RCS iMessage e Google Mensagens Google Maps e Apple Maps App VivoLigação telefônica comum Videochamada (inclusive no WhatsApp) Links externos Outros aplicativos (redes sociais, streaming, navegador etc.) Ligações para 190, 192 e 193 Alertas da Defesa Civil
ATENÇÃO: não serve para emergência Pela rede satelital, o celular não completa chamadas para números de emergência (190, 192, 193) e não recebe alertas da Defesa Civil. A própria Vivo recomenda que o serviço não seja tratado como principal meio de comunicação em situações críticas. A operadora não informou quando nem se esse bloqueio será retirado. Quem vai para trilhas, alto-mar ou áreas isoladas deve continuar planejando a segurança com outros recursos (avisar o roteiro a alguém, levar rádio ou comunicador próprio, quando for o caso).

7. O que acontece depois do período gratuito

Encerrada a gratuidade (25/10/2027 para pessoa física e 26/01/2027 para empresas), o cliente poderá contratar, de forma opcional, um pacote pago do Vivo Satélite. A Vivo ainda não divulgou valores nem formato desses planos. Para empresas, a contratação seguirá a política comercial vigente.

A Starlink anunciou que uma nova geração da tecnologia (Starlink Mobile V2) deve ampliar a velocidade no futuro, mas não há data para isso no Brasil.

8. Autorização e regras

O lançamento comercial ocorre dentro de um ambiente regulatório experimental (sandbox) criado pela Anatel em junho de 2026. A agência prorrogou a autorização de uso das frequências pela Vivo até 22 de abril de 2029. No Brasil, a conexão usa a faixa de 4G de 2.600 MHz (banda 7). A Vivo vinha testando a tecnologia com a Starlink desde agosto.

Fontes consultadas

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