Virada nas telas: Lula passa Flávio Bolsonaro em popularidade digital a cinco dias do 2º turno
Índice da Quaest mostra o presidente com 82,6 pontos contra 76,4 do senador. Nas pesquisas de voto, porém, a disputa segue embolada — e o Amazonas, onde Lula venceu no 1º turno, entra na reta final como peça importante do tabuleiro
Da Redação | Portal Zona Franca | Manaus, 20 de outubro de 2026
Quem terminou o primeiro turno na frente nas urnas não é, hoje, quem lidera a conversa na internet. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ultrapassou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Índice de Popularidade Digital (IPD), termômetro que mede o desempenho de políticos nas redes sociais. Os dados foram levantados pela consultoria Quaest e divulgados com exclusividade pela Folha de S.Paulo no sábado (17).
Entre o dia da votação, 4 de outubro, e o dia 15, a pontuação de Lula saltou de 70,7 para 82,6 — alta de 11,9 pontos. No mesmo intervalo, Flávio, que liderava o indicador durante toda a primeira etapa da campanha, recuou de 80 para 76,4. A virada acontece a menos de uma semana do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.
Trocando em miúdos: o que é esse índice
O IPD não é pesquisa de intenção de voto. Ele não pergunta a ninguém em quem vai votar. Funciona como um “placar de barulho” nas redes: um algoritmo reúne 175 variáveis coletadas no Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), TikTok, YouTube, Google e Wikipédia e transforma tudo numa nota de 0 a 100.
Entram na conta fatores como alcance das publicações, engajamento, compartilhamentos, menções espontâneas, reações positivas e negativas e o volume de buscas pelo nome do candidato. Segundo a Quaest, o cálculo também tenta descontar a ação de robôs, para se aproximar do comportamento de usuários reais.
Em resumo: o índice mostra quem está mobilizando mais gente e ocupando mais espaço no ambiente digital — o que pode indicar ânimo da militância, mas não garante voto.
Os números da virada
| Candidato | 4 de outubro (1º turno) | 15 de outubro | Variação |
| Lula (PT) | 70,7 | 82,6 | +11,9 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 80,0 | 76,4 | −3,6 |
Fonte: Índice de Popularidade Digital (IPD) da Quaest, dados de 4 a 15 de outubro de 2026, divulgados pela Folha de S.Paulo. Escala de 0 a 100.
Na largada do segundo turno, Flávio tinha vantagem de 9,3 pontos no indicador. Onze dias depois, Lula estava 6,2 pontos à frente — uma diferença de mais de 15 pontos na corrida digital em pouco mais de uma semana.
O que explica o salto de Lula
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o movimento sinaliza uma mudança de quadro: na leitura dele, Flávio deixou de ostentar a condição de favorito que tinha no primeiro turno. Nunes atribui a reação a um “despertar” da campanha petista depois do resultado desfavorável nas urnas — o que ele chama de wake-up call.
Três fatores aparecem na análise:
- Nova equipe nas redes — a campanha reorganizou a coordenação digital com a entrada dos deputados Ana Elisa e André Janones.
- Mudança de formato — Ana Elisa passou a produzir vídeos verticais, legendados e gravados em formato selfie, linguagem típica de TikTok e Reels.
- WhatsApp e ruas — Janones ampliou a mobilização de militantes pelo canal “Exército do Lula”, no WhatsApp; atos de rua na Avenida Paulista (SP) e em Copacabana (RJ) também repercutiram on-line.
Por que Flávio perdeu fôlego
Do outro lado, o senador recebeu uma série de apoios de peso após o primeiro turno — Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e o ex-presidente Michel Temer (MDB). Nenhum deles, porém, se traduziu em ganho de popularidade digital. Na avaliação de Nunes, endossos de lideranças tradicionais têm pesado pouco num eleitorado que busca outras formas de se informar.
A Quaest também identificou um desengajamento de parte da base bolsonarista depois da votação de 4 de outubro, associado a um clima de “já ganhou” alimentado pela vantagem nas urnas. Ainda assim, Flávio segue com índice elevado, sustentado por uma militância que já era muito ativa antes do segundo turno. No período, o senador também obteve autorização para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde agosto de 2025.
Atenção: rede social não é urna
O próprio levantamento faz a ressalva: liderar o IPD não significa ter ultrapassado o adversário em votos. As pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias continuam mostrando uma disputa apertadíssima, com resultados que oscilam de um instituto para outro:
| Instituto / data | Recorte | Resultado |
| Quaest – 14/out | Votos totais | Flávio 46% x Lula 44% (empate técnico) |
| Datafolha – 15/out | Votos válidos | Flávio 51% x Lula 49% |
| Vox Brasil – 18/out | Votos válidos | Lula 51% x Flávio 49% |
| BTG/Nexus – 19/out | Votos válidos | Flávio 50,3% x Lula 49,7% (empate técnico) |
Fontes: Quaest, Datafolha, Vox Brasil e BTG/Nexus, conforme divulgado pela imprensa. Pesquisas têm metodologias e margens de erro diferentes.
No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A leitura da Quaest é que o índice digital funciona como um sinal de mobilização: um eleitorado petista mais animado nas redes pode ajudar a reduzir a abstenção — fator que, num cenário de empate técnico, pode decidir a eleição.
E no Amazonas?
Para o eleitor amazonense, o recado das redes chega a um estado que já deu vantagem ao presidente. No primeiro turno, Lula venceu no Amazonas com 48,17% dos votos válidos, contra 45,05% de Flávio — uma diferença de pouco mais de três pontos, num cenário em que o senador levou a maioria dos estados da Amazônia Legal (cinco contra quatro do petista).
A pesquisa Quaest mais recente no estado, divulgada em 13 de outubro, já na campanha do segundo turno, mostra Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 43% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 5%, e outros 5% não sabem ou não responderam. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados, com o petista numericamente à frente.
O mesmo levantamento aponta que 52% dos amazonenses aprovam o governo Lula, contra 42% que desaprovam; 6% não souberam responder. Na disputa pelo governo do estado, que também vai ao segundo turno, a Quaest registrou Omar Aziz com 51% e Maria do Carmo com 37%.
A Quaest ouviu 1.098 eleitores do Amazonas entre 9 e 12 de outubro. O nível de confiança é de 95% e a pesquisa está registrada no TSE sob o número AM-09760/2026.
Com Manaus concentrando a maior parte do eleitorado e temas como a Zona Franca, o emprego no Polo Industrial e a Amazônia no centro do debate regional, a capacidade de cada campanha de mobilizar eleitores nas redes — e de levá-los às seções no domingo — tende a pesar no resultado local.
O que vem pela frente
O segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro. Até lá, os dois lados devem intensificar a batalha digital: a campanha de Lula aposta em manter o embalo das redes e converter engajamento em comparecimento; a de Flávio precisa reanimar uma base que, segundo o índice, se acomodou depois da vitória no primeiro turno. Novas rodadas de pesquisas ao longo da semana vão mostrar se a virada nas telas chega, de fato, às urnas.
| ENTENDA EM 5 PONTOS 1. Lula subiu de 70,7 para 82,6 pontos no índice digital da Quaest entre 4 e 15 de outubro. 2. Flávio Bolsonaro caiu de 80 para 76,4 no mesmo período, apesar de ter vencido o 1º turno. 3. O índice mede presença e engajamento em redes e buscas — não é pesquisa de voto. 4. Nas pesquisas eleitorais, a disputa segue em empate técnico. 5. No Amazonas, Lula venceu o 1º turno e aparece com 47% contra 43% de Flávio na Quaest de 13/10 (empate técnico). |
Fontes consultadas
• Folha de S.Paulo – reportagem original com dados exclusivos do IPD/Quaest (17/10/2026)
• Repercussões em Brasil 247, Terra, Vermelho, Portal N10, Estado do Pará Online, Panorama da Bahia, Arede e Diário do Centro do Mundo (18 e 19/10/2026)
• Portal Amazônia – resultado do 1º turno na Amazônia Legal
• Quaest/Amazonas – 2º turno, divulgada em 13/10/2026 (reproduzida por Metrópoles, CartaCapital e CNN Brasil)
• Poder360 – pesquisa BTG/Nexus (19/10/2026)
