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Seca do Rio Solimões leva São Paulo de Olivença a decretar emergência no Amazonas

A prefeitura de São Paulo de Olivença, no interior do Amazonas, publicou nesta quarta-feira (26) um decreto de situação de emergência em razão da estiagem que atinge os rios da região, entre eles o Solimões. A medida foi tomada depois de o município constatar uma queda acentuada no volume das águas.

Rio em queda acelerada e próximo do recorde de 2024

Conforme o texto do decreto, o Solimões marcava 3,17 metros na última terça-feira (25), com recuo diário que varia entre 8 e 20 centímetros, conforme dados repassados pela administração municipal.

A gestão local afirma que a curva do rio continua caindo em ritmo forte e caminha para se aproximar do menor patamar já registrado, alcançado durante a estiagem de 2024, quando o Solimões atingiu -0,16 centímetro em 25 de agosto daquele ano.

O que muda com o decreto de emergência

A emergência vale por 180 dias contados a partir desta quarta-feira e abre caminho para que órgãos da administração municipal atuem em conjunto nas frentes de resposta ao desastre, apoio à população atingida, recuperação da área afetada e reconstrução das estruturas prejudicadas.

O texto ainda permite convocar voluntários e organizar campanhas de arrecadação para bancar ações de apoio à população. Diante de risco iminente, integrantes da Defesa Civil e demais autoridades competentes ficam autorizados a acessar imóveis para prestar socorro ou ordenar a retirada de moradores.

Outro efeito prático do decreto é a possibilidade de a prefeitura dispensar processo licitatório em contratações voltadas à aquisição de materiais, à contratação de serviços e à execução de obras ligadas à resposta ao desastre, respeitadas as exigências legais e desde que os contratos sejam finalizados dentro do prazo de 180 dias.

Quase 90 comunidades e outros rios atingidos

Segundo a prefeitura, a estiagem alcança a totalidade do território de São Paulo de Olivença, o que inclui 87 comunidades rurais. Entre elas, o decreto menciona:

  • São Raimundo do Universo
  • Alto Alegre
  • Bom Jesus
  • São Tomás
  • Passé
  • São Francisco do Castanhal
  • Santa Fé
  • Boa Esperança
  • Nova Galileia do Chupão
  • Vila Bahia
  • Santa Vitória
  • Monte Sinai
  • Nova União
  • Floresta Amazônica
  • Porto Velho
  • Santa Terezinha
  • Bom Sucesso
  • São Francisco Xavier

A falta de chuvas também afeta os rios Camatiã, Jandiatuba e Jacurapá, além de seus afluentes. O decreto destaca que o cenário tem prejudicado órgãos públicos, famílias e atividades econômicas, provocando ainda danos ao meio ambiente e perdas para a população, entre elas o comprometimento de plantações e criações de animais.

O documento acrescenta que a escassez de chuvas nas cabeceiras dos rios Javari e Solimões, somada a uma situação de emergência já reconhecida em três regiões do Peru, tem impacto direto sobre as condições enfrentadas pelo município.

Panorama da seca no Amazonas

A estiagem já tem repercutido em outros pontos do estado. No dia 19 de agosto, a prefeitura de Humaitá também decretou emergência, citando a dificuldade de sustentar serviços públicos essenciais em função da seca no Rio Madeira. Apesar de estar publicado no Diário Oficial do Município, esse decreto não é reconhecido pela Defesa Civil do Amazonas.

De acordo com o órgão estadual, até esta quarta-feira, São Paulo de Olivença é o único, entre os 62 municípios do Amazonas, formalmente reconhecido nessa condição. No total, 14 cidades estão classificadas em estado de alerta, dez em estado de atenção e 37 em situação de normalidade, conforme a lista a seguir:

Alerta: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Lábrea, Pauini e Tabatinga.

Atenção: Amaturá, Apuí, Barcelos, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Santo Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira e Tonantins.

Boletim hidrológico confirma vazante acima do normal

O 32º Boletim de Alerta Hidrológico, divulgado neste mês pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB), aponta que o processo de vazante dos rios da Bacia Amazônica foi acentuado pelo volume de chuvas abaixo da média histórica. Ainda assim, apesar da redução dos níveis, a maior parte das estações monitoradas pelo SGB permanece dentro do padrão de normalidade esperado para esta época do ano.

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