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Auditoria aponta falhas em contratos da Educação no Amazonas

Com reportagem da Rede Amazônica, relatório do TCE-AM aponta superfaturamento e empresas fantasmas em contratos da Seduc firmados durante a gestão do ex-governador Wilson Lima, com prejuízo de R$ 3 milhões aos cofres públicos.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) identificou falhas em contratos da Educação. As irregularidades ocorreram na gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil-AM).

Os contratos foram firmados pela Secretaria de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) entre 2024 e 2025.

O documento aponta suspeitas de superfaturamento. Também identifica empresas não localizadas nos endereços informados. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 3 milhões.

Como foi feita a investigação

A fiscalização ocorreu entre 21 de janeiro e 21 de abril de 2026. Foi uma inspeção extraordinária determinada pelo Tribunal de Contas.

A análise começou depois de um dado alarmante. O Amazonas teve o pior desempenho do Brasil na média do Enem, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2025.

Os auditores analisaram contratos de manutenção predial, reformas, pintura e limpeza de esgoto em escolas. O período coincide com a gestão da ex-secretária Arlete Mendonça, que ficou no cargo entre janeiro de 2024 e maio de 2026.

O TCE cruzou planilhas, notas fiscais e documentos de atesto. O objetivo era verificar se os serviços pagos foram realmente executados.

Mesma escola aparece em contratos diferentes

A auditoria encontrou um padrão preocupante. A mesma escola foi incluída em medições de contratos distintos, com empresas diferentes, no mesmo período.

Em nota, a Seduc informou que ainda não foi notificada oficialmente. A pasta afirmou compromisso com a transparência e disse que vai esclarecer o caso quando for comunicada.

Escola que recebeu pintura, mas nunca foi pintada

Um dos casos envolve a Escola Estadual Marcantonio Vilaça I, na Zona Norte de Manaus. As empresas Platina Serviços e Construtora PHX Ltda. receberam cerca de R$ 1 milhão cada para pintura.

Segundo o relatório, a escola nunca foi pintada. Não há documentos que comprovem a execução do serviço.

Suspeita de superfaturamento na limpeza

A Platina Serviços também é suspeita de superfaturamento em um contrato de limpeza. A empresa cobrou cerca de R$ 40 por metro quadrado de piso limpo.

O preço de mercado é dez vezes menor, segundo o TCE.

Pintura cobrada de forma irregular

A PHX Ltda. tinha um contrato de pintura com tinta inseticida sob análise. A auditoria encontrou a medição de 1.530,69 m² de piso cimentado usando um item de pintura para paredes internas.

O valor considerado irregular nesse item é de R$ 81.123,57.

Mais de R$ 1 milhão sem comprovação

A empresa Fabiteck Saneamento Ltda. teve R$ 1.062.149,42 em serviços sem documentação suficiente. Faltam ordem de serviço, atesto do gestor escolar e fotos das etapas do trabalho.

Instalação elétrica sem comprovação total

Nos contratos da Newen Construtora e Incorporadora Ltda., a auditoria notou medições repetidas de pontos de luz e elétricos em escolas. Não há documentos suficientes que comprovem toda a execução.

O TCE propôs o ressarcimento de R$ 522.584,31 aos cofres públicos.

Endereços fantasmas de empresas contratadas

A PH Construções deveria funcionar na rua Las Palmas, número 36, na Zona Norte de Manaus. Esse número de imóvel não existe na rua.

Situação parecida ocorreu com a SUP Serviços. O endereço informado, no Adrianópolis, está vazio e com placa de “aluga-se”.

Em 2024 e 2025, o governo pagou R$ 18 milhões à SUP Serviços em cada ano. O TCE nunca encontrou os responsáveis pela empresa.

O que o relatório recomenda

O documento aponta falhas no controle documental e na organização das informações. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Criação de um banco de dados centralizado das intervenções nas escolas
  • Definição de critérios para atuação das empresas contratadas
  • Padronização das medições
  • Registros detalhados dos serviços executados

Advogado vê indícios de fraude

O advogado especialista em licitações Vicente Natalino afirma que os documentos podem configurar fraude. Ele defende a responsabilização de gestores, fiscais e empresas envolvidas.

A Rede Amazônica visitou os endereços de todas as empresas citadas no relatório: PH Construções, SUP Serviços, PSM Construtora, Platina Serviços e Construtora PHX. Nenhuma delas respondeu aos pedidos de entrevista.

O ex-governador Wilson Lima e a ex-secretária Arlete Mendonça também foram procurados. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

Nota da Seduc-AM na íntegra

“A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informa que ainda não foi oficialmente notificada acerca do relatório mencionado. Tão logo seja formalmente comunicada, a secretaria realizará a análise técnica do documento e prestará todos os esclarecimentos necessários aos órgãos competentes.

A Seduc reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos, permanecendo à disposição dos órgãos de controle e fiscalização e colaborando integralmente com os procedimentos de apuração que venham a ser conduzidos.”

Com informações da reportagem de Alexandre Hisayasu, Maria Eduarda Furtado, Jadson Lima, Rede Amazônica, g1 AM — Manaus

https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/06/23/enderecos-fantasmas-e-prejuizo-milionario-justica-identifica-falhas-em-contratos-da-educacao-durante-gestao-wilson-lima.ghtml

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