Menos de dez dias depois da queda, Manaus volta a pagar mais caro pela gasolina nas distribuidoras
Combustível sobe R$ 0,21 e supera novamente a barreira dos R$ 4,00 por litro; diesel chega a R$ 6,60 e capital amazonense já figura entre as três mais caras do país

A recuperação no preço foi rápida demais para passar despercebida. Menos de dez dias após uma redução de R$ 0,35 no valor da gasolina repassada às distribuidoras em Manaus, a distribuidora local voltou atrás e aplicou novo reajuste a partir desta sexta-feira (3), elevando o litro para R$ 4,17 — acréscimo de R$ 0,21 em relação à tabela anterior.
Modalidades sobem juntas
Na prática, as duas formas de comercialização registraram alta simultânea. Na modalidade EXA — sigla para Entrega a Serviço da Compradora, em que a distribuidora retira o produto e assume os custos do transporte —, o litro saltou de R$ 3,96 para R$ 4,17. No modelo LPA (Livre para o Armazém), em que a refinaria é responsável pelo frete até o destino, o valor migrou de R$ 3,97 para o mesmo patamar de R$ 4,17.
Os números foram divulgados na quinta-feira (2) e passaram a vigorar no dia seguinte.
Montanha-russa em março
O histórico recente revela instabilidade acentuada. No dia 25 de março, os preços haviam recuado de R$ 4,32 para R$ 3,96 (EXA) e R$ 3,97 (LPA). Com a reversão desta semana, a gasolina volta a ultrapassar os R$ 4,00 nas transações com distribuidoras — patamar que oscilou repetidamente ao longo do mês passado.
Trata-se do sexto reajuste consecutivo praticado em 2026, um ciclo de altas e recuos em janelas de tempo cada vez mais curtas.
A dinâmica nas refinarias costuma se refletir diretamente no consumidor final, o que sinaliza possível elevação nos preços dos postos de abastecimento nos próximos dias.
Diesel em trajetória ascendente
A pressão não se limita à gasolina. A tabela divulgada nesta sexta aponta que o diesel comercializado às distribuidoras em Manaus também segue em alta. O combustível saiu de R$ 5,09 em 6 de março para R$ 5,69 em 13 do mesmo mês — então o maior valor registrado no ano. A atualização de 3 de abril consolida a tendência, fixando o litro em **R$ 6,60.
Para amortecer o impacto sobre o consumidor, o Amazonas e outros 20 estados sinalizaram adesão a uma proposta do governo federal que prevê subsídio aos importadores de diesel. O mecanismo contempla uma subvenção de **R$ 1,20 por litro até o fim de maio**, dividida igualmente entre União e estados — R$ 0,60 para cada parte.
O acordo teria validade de dois meses. Nesse intervalo, a perda estimada de receita para os estados chega a aproximadamente R$ 1,5 bilhão, a ser compensada por meio de retenção de parcelas do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O modelo dispensa o zeramento do ICMS, diferentemente da proposta original, que previa redução do imposto sobre o diesel.
O que o motorista em Manaus já sente na bomba
No varejo, os efeitos acumulados já são perceptíveis. Pela segunda vez em menos de um mês, o preço ao consumidor avançou nos principais postos da capital amazonense, indo de R$ 7,29 para R$ 7,59 o litro da gasolina comum — movimento percebido desde 22 de março. A versão aditivada acompanhou, subindo de R$ 7,49 para R$ 7,79.
A sequência de reajustes pegou de surpresa muitos motoristas, sobretudo pelo intervalo reduzido entre eles. Até 6 de março, o litro da gasolina comum custava R$ 6,99 ao consumidor final. No dia 7, veio o primeiro reajuste de R$ 0,30 — mantido por apenas 15 dias antes do novo salto.
Terceira capital mais cara do Brasil
Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) contextualizam o cenário: Manaus já iniciou 2026 pressionada. Na primeira semana de janeiro, o preço médio do litro na cidade era de R$ 6,98. Naquele momento, a capital ficava atrás apenas de Rio Branco (AC), onde o litro chegava a R$ 7,24, e de Porto Velho (RO), com R$ 7,09 — terceiro lugar no ranking nacional.
No segmento do etanol, a situação era igualmente delicada: Manaus registrava média de R$ 5,49 por litro, empatada com Porto Velho entre os valores mais elevados do país.
Especialistas indicam que a combinação de custos logísticos elevados, preços nas refinarias e a incidência do ICMS estadual explica a concentração dos combustíveis mais caros nas capitais da região Norte.
