ALERTA SANITÁRIO: Vírus Nipah reacende temor de nova pandemia e coloca aeroportos asiáticos em estado de vigilância máxima
Um vírus mortal que mata até 75% dos infectados voltou a acender o sinal vermelho na Ásia. O Nipah, transmitido por morcegos e sem vacina ou tratamento específico, provocou novos surtos em Bangladesh e Índia, levando autoridades a reforçar controles sanitários em aeroportos da região. Especialistas alertam: o mundo globalizado exige que países como o Brasil se preparem antes que o patógeno cruze fronteiras.

O INIMIGO INVISÍVEL
O vírus Nipah (NiV) não é novidade para a ciência, mas segue sendo uma das maiores preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Descoberto em 1999 durante um surto na Malásia que matou mais de 100 pessoas, o patógeno pertence à mesma família do vírus do sarampo, mas com consequências devastadoras.
A infecção causa encefalite (inflamação cerebral) grave, sintomas respiratórios e pode levar à morte em questão de dias. O período de incubação de até duas semanas significa que pessoas infectadas podem viajar para outros continentes antes mesmo de apresentar os primeiros sinais da doença.
Diferente da COVID-19, o Nipah não se espalha facilmente pelo ar, mas sua altíssima taxa de letalidade – entre 40% e 75% dos casos – compensa a menor transmissibilidade, segundo epidemiologistas.
ÁSIA EM ALERTA
Bangladesh e o estado indiano de Kerala voltaram a registrar casos nas últimas semanas, reavivando memórias de surtos anteriores que paralisaram comunidades inteiras. Autoridades de saúde de Singapura, Tailândia e Malásia intensificaram triagens em aeroportos internacionais.
Em Kerala, hospitais já ativaram protocolos de isolamento, e equipes rastreiam contatos de pacientes confirmados. A região é considerada zona endêmica devido à presença de morcegos frugívoros – os principais reservatórios naturais do vírus – e à proximidade entre humanos, animais domésticos e vida selvagem.
“Cada surto é uma oportunidade para o vírus evoluir e potencialmente se tornar mais transmissível”, alerta virologistas que acompanham o patógeno há décadas.
COMO ACONTECE A TRANSMISSÃO
O Nipah segue três rotas principais de contágio:
Animal-humano: Através do consumo de frutas ou seiva de palmeiras contaminadas com saliva ou urina de morcegos infectados. Porcos também podem ser hospedeiros intermediários, como ocorreu no surto original na Malásia.
Humano-humano: por contato próximo com secreções respiratórias, fluidos corporais ou objetos contaminados de pacientes infectados. Profissionais de saúde estão entre os grupos de maior risco.
Ambiental: contato com ambientes contaminados por excrementos de morcegos, especialmente em áreas rurais onde há sobreposição de habitats.
SEM VACINA, SEM CURA
Mais de duas décadas após sua descoberta, o Nipah permanece sem vacina aprovada para uso humano ou tratamento antiviral específico. Pacientes recebem apenas cuidados de suporte: hidratação, controle de sintomas e suporte respiratório em casos graves.
Diversos candidatos a vacina estão em fase de testes, incluindo desenvolvimentos no Canadá, Estados Unidos e Índia, mas a aprovação regulatória ainda deve levar anos. A raridade dos surtos e o número limitado de casos dificultam a realização de ensaios clínicos em larga escala.
O medicamento antiviral Remdesivir, usado contra COVID-19, mostrou alguma eficácia em estudos laboratoriais, mas sua efetividade em humanos contra o Nipah ainda não foi comprovada.
BRASIL PRECISA SE PREPARAR?
Embora nunca tenha registrado casos, o Brasil não pode ignorar a ameaça. O país recebe milhões de viajantes internacionais anualmente, incluindo de regiões endêmicas na Ásia.
O que o Brasil está fazendo:
– Anvisa monitora alertas internacionais e pode ativar protocolos em aeroportos
– Laboratórios de referência como Fiocruz têm capacidade diagnóstica
– Ministério da Saúde mantém diretrizes para doenças emergentes
O que precisa melhorar:
– Capacitação de profissionais de saúde para reconhecimento precoce
– Fortalecimento da vigilância sindrômica em portos de entrada
– Comunicação clara com população sem gerar pânico desnecessário
– Investimento em pesquisa sobre patógenos emergentes
Especialistas brasileiros em saúde pública defendem que a lição da COVID-19 deve servir de alerta: preparação prévia salva vidas e economiza recursos.
A PRÓXIMA PANDEMIA?
A OMS mantém o Nipah em sua lista de doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento devido ao seu potencial pandêmico. Embora os surtos atuais sejam limitados geograficamente, a globalização e as mudanças climáticas aumentam o risco de expansão.
“Não é questão de ‘se’, mas ‘quando’ enfrentaremos novos patógenos emergentes”, afirmam epidemiologistas internacionais. O desmatamento, a invasão de habitats naturais e o comércio de animais silvestres criam condições ideais para que vírus saltem de animais para humanos.
Por enquanto, o Nipah permanece confinado à Ásia. Mas em um mundo onde uma pessoa pode atravessar continentes em horas, a vigilância global deixou de ser opção para se tornar necessidade urgente.
SINTOMAS DO VÍRUS NIPAH
– Febre alta
– Dor de cabeça intensa
– Tontura e sonolência
– Confusão mental
– Dificuldade respiratória
– Convulsões (em casos graves)
– Coma (em 24-48h nos casos mais severos)
Procure atendimento médico imediatamente se apresentar esses sintomas após viagem à Ásia.
